sábado, 21 de novembro de 2015

Religiosidade, fé e cultura

Começou mais uma Festa da Padroeira de Messias Targino

A Festa de Nossa Senhora das Graças, padroeira de Messias Targino, é um evento esperado por sua comunidade cristã-católica durante todo o ano. Nesta sexta-feira, 20 de novembro, começou mais uma edição dessa Festa, que muito orgulha o povo messiense.

Pertinho das 19 horas, a procissão de abertura teve início nas proximidades da Escola Municipal Professor Júlio Benedito, no Bairro Alto do Bonito, desceu pela Avenida Genuíno Fernandes Jales, entrou pela Rua Miguel Arcanjo de Almeida e finalmente chegou à Capela de Nossa Senhora das Graças.

Já na sede da Igreja de Nossa Senhora das Graças houve houve a missa e novena de abertura.

Serão dez dias de Festa, de cuja programação religiosa constam missas, novenas e outras celebrações, até a procissão de encerramento.

A tradição da quermesse, que marca a parte social e cultura da Festa, acontecerá todas as noites depois das novenas, no Largo Catequista Maria José de Souza e Avenida Genuíno Fernandes Jales.

Do Blog de Marcos Dantas

Time do Santa oficializa desistência do Campeonato Estadual
O Campeonato Potiguar de 2016 sofreu sua primeira derrota antes mesmo da bola rolar na competição. Alegando falta de recursos para bancar o time devido à crise nacional e a seca que atinge o Estado, o presidente de honra do Santa Cruz, Luiz Antônio Tomba oficializou, ontem a desistência do certame. O torneio terá apenas nove equipes.
“Vejo como maior problema o homem do campo estar esperando o caminhão d’água para tomar banho, para lavar e para cozinhar, e não ter. Por outro lado, a gente vai estar gastando oito caminhões por dia em um campo para jogar um campeonato. São 240 caminhões por mês, 1.200 caminhões em cinco meses. Como gestor público, seria muita irresponsabilidade permitir isso”, comentou Tomba.
Fonte: www.marcosdantas.com

Homenagens

Poder Legislativo de dois Municípios presta homenagem a Maria do Junco

Falecida no último dia 11 de novembro, a catequista Maria José de Souza, ou simplesmente Maria do Junco, segue sendo homenageada.

Em Messias Targino, onde trabalhou voluntariamente por cinquenta anos em diversas funções da Igreja Católica, Maria do Junco foi homenageada pela Câmara Municipal, que aprovou na sessão ordinária de 20 de novembro um Projeto de Lei de iniciativa do vereador Juscelino Herculano Jales que denomina de "Largo Catequista Maria José de Souza" o espaço público situado entre a Igreja de Nossa Senhora das Graças, a Avenida Genuíno Fernandes Jales, a Rua José Francisco Pinto e a via pública que fica de frente à Capela de Nossa Senhora das Graças.

Em Janduís, em sessão ordinária realizada no último dia 17 de novembro, foi aprovada uma moção de pesar pela morte de Maria José de Souza, proposição esta de iniciativa do vereador Jozenildo Morais, segundo relatou o próprio ao Blog.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Nossa Senhora dos Impossíveis

Festa do Santuário do Lima vai chegando ao final

Iniciada no dia 8 de novembro, a Festa de Nossa Senhora dos Impossíveis, padroeira do Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis (popularmente conhecido por Santuário do Lima), situado na zona rural de Patu, vai atingindo a sua reta final, com previsão de término para o dia 21 de novembro, dia dedicado à santa.

No dia 8 de novembro houve a abertura da Festa no próprio Santuário do Lima, com alvorada festiva, missa e hasteamento de bandeiras.

Com dinâmica diferente, a Festa de Nossa Senhora dos Impossíveis é realizada também em várias comunidades cristãs-católicas além da patuense, pois a romaria ao Santuário do Lima durante o ano inteiro se dá por pessoas oriundas de diversas localidades do Estado do Rio Grande do Norte e também de outros Estados, de modo que, simbolicamente e na medida do possível, a organização da Festa busca engajar no evento outras comunidades católicas.

E foi por isso que nos dias 9 a 17 a imagem peregrina de Nossa Senhora dos Impossíveis foi recebida nas comunidades de Olho D´água do Borges, Rafael Godeiro, Almino Afonso, Lucrécia, Messias Targino e Patu.

Em Patu, houve celebrações na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores (no Centro), na Capela de Santa Terezinha (no Bairro de Santa Terezinha) e na Capela de São João Batista (no Conjunto João Pereira).

Nesta quarta-feira, 18 de novembro, a Festa de Nossa Senhora dos Impossíveis retorna ao Santuário do Lima, com missas e novenas nos dias 18, 19 e 20 de novembro, sempre às 19 horas.

No dia 21 (sábado), dia de Nossa Senhora dos Impossíveis, haverá o encerramento de mais uma Festa dedicada à Santa dos Impossíveis, com a seguinte programação:
6 horas – Alvorada festiva;
7 horas – Procissão de Nossa Senhora dos Impossíveis, saindo da Igreja Matriz de Patu com direção ao Santuário do Lima;
9 horas – Missa Solene no Santuário do Lima;
10 horas e 30 minutos – Descerramento das Bandeiras, no Santuário do Lima;
11 horas – Batizados;
12 horas – Almoço no Refeitório do Santuário do Lima.

Estado ineficaz

Em dois Municípios do Oeste do RN, houve quatro assaltos em poucos dias

Uma das promessas de campanha do então candidato e atual governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, era justamente a de melhorar o serviço de segurança pública. Há de se reconhecer que algumas ações foram realizadas pela atual gestão estadual, no entanto elas ainda são tímidas para o enfrentamento eficaz da profunda crise que vive a segurança pública potiguar.

Entre o sábado (dia 14 de novembro) e esta terça-feira (17 de novembro) aconteceram quatro assaltos em dois Municípios do Médio Oeste do Rio Grande do Norte, sendo três em Patu e um em Janduís, cidades relativamente próximas uma da outra.

Em Patu, no sábado (14) foram tomadas de assalto três motocicletas, em três assaltos diferentes, mas provavelmente realizados pela mesma dupla armada, que sempre chegava até às vítimas numa motocicleta, segundo relatos das vítimas à Polícia.

Os dois primeiros assaltos ocorreram nas imediações do Sítio Escondido, na zona rural do Município de Patu, no início da noite do dia 14, quando foram roubadas duas motocicletas.

Também no início da noite, por volta das 19 horas do mesmo dia 14, o mototaxista Demétrio Robson Pinto foi assaltado na zona rural de Patu, na Rodovia BR 226, nas proximidades da comunidade conhecida por "Ernestos", conforme foi noticiado neste espaço (clique aqui).

Nesta terça-feira (17 de novembro), pela manhã, um velho conhecido dos meliantes foi novamente assaltado. Situado numa das margens da Rodovia BR 226, em pleno perímetro urbano, o único posto de combustíveis de Janduís foi mais uma vez assaltado.

Segundo relatos de populares, os assaltantes utilizaram na ação uma motocicleta que, associando-se a outros relatos, seria similar a uma das motocicletas tomadas de assalto em Patu.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Chame o menino...

Tim deixa milhares de usuários sem serviço, novamente

A empresa que diz em sua publicidade ser a maior operadora de telefonia celular do Brasil é também, seguramente, a que mais deixa seus usuários sem serviço.

Desde esta segunda-feira (16) à tarde, entrando pela terça-feira (17), usuários da operadora Tim em vários Municípios do Oeste do Rio Grande do Norte têm dificuldades para fazer e receber ligações, havendo momentos prolongados em que efetivamente não se consegue nenhum sinal.

O problema é recorrente e até já cansa de ser noticiado. Mas, para não cair no esquecimento, segue sendo objeto de postagens, na vã esperança de que, algum dia, algum órgão de proteção e defesa do consumidor possa conseguir aplicar uma severa punição à empresa Tim pelo desserviço que ela presta à sociedade.

Então, quer falar com alguém? Se for da mesma cidade, chame o menino e mande o recado.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Do Blog de Marcos Dantas

Pagamento do Garantia Safra injetará R$ 18,6 milhões na economia de 62 municípios potiguares
Os agricultores familiares da Região 1 do Rio Grande do Norte, beneficiados pelo programa Garantia Safra 2014/2015, já podem sacar o benefício a partir desta terça-feira (17). O Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca (Sape) pagou R$ 2.757.200,25 em contrapartida para o programa. Nesta etapa, 21.941 agricultores de 62 municípios terão acesso ao montante. O pagamento vai gerar um impacto de R$ 18,6 milhões na economia dessas cidades.
O Garantia Safra é um seguro para as famílias de agricultores que vivem no Nordeste, Norte de Minas Gerais, Vale do Jequitinhonha e Espírito Santo. O agricultor familiar que adere ao programa com renda de até 1,5 salário mínimo tem a garantia de receber o seguro, em caso de seca ou enchente que causem a perda de pelo menos 50% da produção do município. Os recursos são provenientes do Fundo Garantia Safra, formado por contribuições da União, Estados, Municípios e agricultores familiares.
Dos 86 municípios que compõem a Região 1 do Rio Grande do Norte, 62 estão aptos a receber o benefício a partir desta terça porque estão adimplentes com o programa. O restante ainda depende do pagamento da contrapartida do município, que pode ser feita até o dia 20 de dezembro. O agricultor beneficiado irá receber o seguro, no valor total de R$ 850, em cinco parcelas de R$ 170. “É uma fonte de renda muito importante que o produtor rural pode contar, principalmente na situação de seca severa em que estamos”, destaca o titular da Sape, Haroldo Abuana.
Fonte: www.marcosdantas.com

sábado, 14 de novembro de 2015

Violência

Mototaxista messiense foi assaltado na BR 226 no Município de Patu

O mototaxista Demétrio Robson Pinto, de Messias Targino, foi assaltado no início da noite deste sábado, 14 de novembro, quando trafegava pela Rodovia BR 226.

Robson havia feito uma corrida para deixar uma pessoa em Patu e, no retorno a Messias Targino, foi surpreendido por dois homens armados, que lhe renderam e lhe tomaram uma motocicleta marca Honda, seu telefone celular e sua carteira de cédulas, que estava com documentos.

O fato se deu nas imediações da comunidade conhecida como "Ernestos", próxima à localidade de Mundo Novo, na zona rural de Patu.

Após o assalto, a vítima encontrou guarida numa residência situada nas proximidades, de onde conseguiu acionar a Polícia.

A Polícia Militar empreendeu buscas no local do fato e nos seus arredores, mas até o momento sem sucesso.

Segundo um policial militar ouvido pelo Blog, a dificuldade maior é o grande número de acessos vicinais para locais diversos, além da dificuldade natural de o fato ter ocorrido à noite.

Mas, segundo a Polícia, as buscas continuarão.

Atentados em Paris

Sem diálogo, não haverá paz

O mundo chora agora as vítimas de mais um atentado terrorista, cruel e insano. Paris, capital da França, voltou a ser alvo da ira de extremistas islâmicos, que retaliaram os bombardeios que diariamente recebem de tropas francesas nos territórios ocupados pelo Estado Islâmico - EI na Síria e no Iraque.

Em pronunciamento, o presidente francês François Hollande afirmou que a resposta será "implacável". 

Porém, não se põe fim às guerras com outras guerras.

Infelizmente, desde que se enfatizou culturalmente a divisão - antes apenas geográfica - de Ocidente e Oriente, as guerras e o ódio entre nações e etnias só aumentaram. Mas não se enganem: por trás disso tudo, há muitos interesses econômicos.

Os Estados Unidos da América - EUA, que detêm o maior poder bélico-militar do planeta, são, certamente, os maiores responsáveis por tudo de desgraça que ocorre no mundo, afinal, são eles que mais lucram com a venda de armamentos para um dos lados - ou para os dois lados - de guerras e mais guerras que, direta ou indiretamente, financiam.

Há rumores de que o Estado Islâmico - EI, que atualmente aterroriza o Iraque, a Síria e outras nações do Oriente Médio e pretende criar um califado, teriam sido financiados inicialmente pelos Estados Unidos da América.

Se isso é verdade ou não, certeza mesmo é que o referido grupo extremista usa em seu exército parte do armamento de origem norte-americana que ele (o EI) tomou do Exército iraquiano depois que as tropas dos Estados Unidos deixaram o Iraque.

A História mostra que, nos muitos conflitos ocorridos em países do Oriente Médio, há sempre o dedo forte do Tio Sam. Osama Bin Laden, por exemplo, teria sido treinado pela CIA (agência de inteligência dos EUA) para combater os iranianos. Apontado como morto, seu corpo nunca foi encontrado, nem mostrado.

Quando foi do interesse dos Estados Unidos da América, Saddam Hussein recebeu deles o apoio para se implantar no poder do Iraque, também para combater o vizinho dele, o Irã, que até hoje não se curvou aos Estados Unidos da América.

Para invadir o Afeganistão e o Iraque e se apropriar de suas riquezas, além de aumentar os lucros de sua poderosa indústria bélica, os Estados Unidos da América precisavam de uma justificativa forte. Os atentados de 11 de setembro lhe serviram ao propósito.

Também questionável quanto à sua autoria, o "11 de setembro" serviu para que os ianques tomassem o Afeganistão do grupo Taliban para o entregar a um governo de sua confiança, como também para uma invasão ao Iraque, até a derrubada do antigo aliado Saddam Hussein. No Afeganistão, um oleoduto era objetivo econômico estratégico para os EUA. No Iraque, o petróleo era o alvo principal, e não o governo de Saddam Hussein.

Preconceituosos, os norte-americanos detestam latino-americanos, negros e muçulmanos. Na ponta inversa, apoiam os israelitas no seus ataques aos árabes da Palestina, que ainda busca se afirmar com Estado soberano perante a Organização das Nações Unidas - ONU, entidade que mais parece uma extensão dos Estados Unidos da América.

Muito por causa dos Estados Unidos da América, o Ocidente como um todo passou a ser odiado por nações do Oriente e, de modo especial, por extremistas do Oriente Médio.

Assome-se a isso o tratamento desumano que vem sendo dado pela imensa maioria dos Países da União Européia - UE aos imigrantes que fogem das guerras, da miséria e da fome. Chegados à Europa, são tratados como animais, sem esquecer os que morrem pelo caminho em travessias clandestinas e arriscadas.

Cumprindo tarefa dos Estados Unidos da América, a França combate diariamente o Estado Islâmico, de propósitos igualmente nada louváveis.

E foi nesse contexto que a França novamente se viu alvo de extremistas orientais, que já haviam invadido a redação de uma revista francesa que brincava de zombar a fé dos muçulmanos, cristãos e outros adeptos religiosos, como se isso não fosse grave.

O que ocorreu mais recentemente em Paris é lamentável, grave e merece repúdio. Mas não se resolverá com outra guerra. Do contrário, a situação só se agravará.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Homenagem a Maria do Junco

Maria do Junco: mãe exemplar, catequista vocacionada

Minha mãe, chegou o dia em que nossas existências terrenas haveriam de se separar. E nesse dia não me sinto feliz em usar a escrita, à qual a senhora tanto insistiu que eu aprendesse, porque justamente nesse dia tenho que lhe dizer algumas palavras que à primeira vista podem soar como despedida, mas que na verdade são apenas uma justa homenagem à sua história de vida.

Hoje, diferentemente do que faço cotidianamente, escrevo levado por um profundo sentimento de perda, de angústia, de saudade. Esta saudade em verdade já me corroía há algum tempo, pois a realidade me mostrava que dias mais difíceis viriam, e que nesses dias eu e todos os que te amamos não mais teríamos a sua companhia. A fé em Deus e a esperança nos avanços da Medicina me faziam acreditar que iríamos retardar esse momento para um futuro distante. De fato, mamãe, a sua fé em Deus e o auxílio que recebestes dos homens da Ciência lhe fizeram travar, com vitórias, uma luta injusta e desumana contra duas doenças graves.

Desse sofrimento, porém, não quero falar muito. Quero apenas dizer que perdi a pessoa mais importante da minha vida, uma mulher que, além de excelente mãe, soube registrar o seu nome na recente História de Messias Targino, graças ao seu jeito simples, sincero, decidido e também de muita perseverança.

Lembro-me do dia, quando eu ainda tinha cinco anos, em que a senhora me vestiu com aquela farda simples do antigo Grupo Escolar Apolinária Jales e me trouxe uma pasta com lápis, caderno e mais um pouco de material escolar que sua pouca renda permitia comprar. Levou-me para o primeiro dia de aula. Mais que isso, a senhora recomendou à professora que, se eu desse trabalho, poderia me colocar de castigo, além de lhe contar o ocorrido, para que eu fosse novamente punido, agora em casa. Essas recomendações, aliás, a senhora fez a meus professores por várias vezes durante a minha estudantil.

Quando um dia fui reprovado no antigo primário, consegui esconder o fato por alguns dias, temendo a sua reprimenda, mas ela veio juntamente com a verdade. Nem de longe passou por sua cabeça que o problema não pudesse ser meu, e de imediato recebi a sua implacável censura ante aquele meu ato estudantil irresponsável. E como isso me fez bem adiante!

Separada ainda cedo do meu pai, a senhora logo passou a desempenhar os papéis de mãe e pai, numa época em que as dificuldades eram imensamente maiores que as de hoje. À base do trabalho braçal, a senhora, com muita dignidade, nunca deixou me faltar o essencial para viver, pois além do alimento e das roupas singelas de filho de pobre, deu-me também muito carinho, amor e todos os cuidados que uma mãe pode dispensar a um filho.

Mesmo separada de meu pai, a senhora nunca se esquivou de tentar me aproximar dele e da sua família, também minha família, e periodicamente me levava até o Município de Jaçanã, onde encontrei meu pai, meus avós, meus tios e tias, meus primos e primas. Esse gesto, repetido várias vezes ao longo de nossas vidas, fez-me ver o quanto de nobreza havia em seu coração, pois, mesmo com as diferenças naturais de uma separação, não me deixou ficar longe do meu pai e da minha outra família.

Filhos biológicos a senhora só teve a mim. Mas outros filhos a vida lhe deu. É pela senhora que ainda hoje, por exemplo, meu primo Novinho me chama de irmão, porque num dado momento da vida ele foi acolhido como filho em sua humilde residência na cidade de Patu, como assim também aconteceu com várias outras pessoas de Messias Targino.

Pequena e Lindalva também sempre se sentiram suas filhas, pelos longos anos de convivência que tiveram com a senhora. Andaram bastante, segundo relatam, porque uma coisa lhe fazia muito bem: andar, conhecer pessoas, fazer amizades. Faço esse registro porque ouvi de sua boca a vida toda que tinha Pequena e Lindalva como suas filhas.

Dos filhos e filhas que a vida lhe deu, sua sobrinha Elizabete foi a que esteve mais presente nos momentos mais difíceis. Era ela a única pessoa que, nos instantes agudos de crises de Alzheimer, a senhora jamais esquecia o nome. Nesses dias mais duros, em que a doença lhe furtava a memória e a lucidez, a senhora chegava a me desconhecer e a desconhecer outras pessoas do seu convívio, mas nunca esqueceu Beta, a quem a senhora sempre chamava pelo nome.

Ser mãe, portanto, foi uma doce tarefa que a senhora cumpriu fielmente, fazendo jus ao nome de Maria, o mesmo da Mãe do Senhor Jesus e da Mãe espiritual de todos nós. Para ilustrar essa realidade, vou contar apenas dois episódios recentes, ocorridos quando a senhora já sofria dos males que tanto lhe fizeram padecer. O primeiro se deu numa véspera de Natal, quando fui dormir ao seu lado. Se era eu quem deveria só dormir depois da senhora para também lhe cuidar naquela noite, foi justamente a senhora quem, de madrugada, cobriu-me com um lençol (como sempre o fazia nos meus tempos de criança) e direcionou o ventilador para o meu lado, passando depois uma das mãos sobre a minha cabeça. Acordei mas fingi ficar dormindo, pois aqueles gestos de carinho invertiam a lógica daquele momento e me faziam ver ainda mais como a senhora me amava.

Outro episódio, este repetido várias vezes, ocorria quando eu chegava para lhe visitar por volta do meio dia. Antes de eu perguntar se a senhora havia almoçado, que seria o agir natural para aquele momento, a senhora indagava: “Já almoçou, meu filho?”. E, antes que eu respondesse, seu divino instinto materno lhe fazia dizer: “Beta, o menino não almoçou. Bote aqui o almoço dele!”

Se para mim, seu filho, a senhora sempre foi uma mãe exemplar, para a comunidade as suas atitudes foram também muito nobres, pois a senhora dedicou a sua vida aos trabalhos voluntários, tendo como palco principal – mas não o único – a Capela de Nossa Senhora das Graças, a sua segunda casa.

Sem ter conseguido se tornar freira, apesar de ter frequentando um convento, a senhora encontrou outra forma de servir a Deus e à Igreja. Fez da catequese de crianças e adolescentes uma bandeira de vida. Por mais de cinquenta anos de dedicação à Igreja Católica, a senhora deu aulas de catecismo a várias gerações diferentes. Rígida nos ensinamentos, transformava-se em criança ao final de cada aula, quando se juntava aos alunos da catequese para as brincadeiras de cantiga de roda realizadas na calçada ou no pátio da Igreja de Nossa Senhora das Graças.

E o seu trabalho à frente da Igreja não se limitou à catequese. No Município, a senhora foi uma das pessoas fundadoras da Legião de Maria, da Cruzada Eucarística e do Movimento dos Focolares, na época abreviado como “Palavra de Vida”.

Nesses trabalhos voluntários, ajudou a fundar vários grupos de jovens, desempenhou as funções de Agente de Pastoral e também ajudou a fundar em Messias Targino a Pastoral da Criança, que, mais do que um movimento religioso, é também um trabalho de largo alcance social, com muitos reflexos diretos e positivos na vida de crianças e adolescentes.

Agora em 2015, próximo de ser iniciada mais uma Festa de Nossa Senhora das Graças, padroeira de Messias Targino, infelizmente a senhora teve que nos deixar fisicamente. Será difícil imaginar que, depois de mais de seis décadas, a Festa de nossa padroeira não terá a sua presença.

Minha mãe, hoje olho para trás e vejo que a senhora cumpriu todas as missões que o Senhor Deus lhe confiou e que ao longo da vida foram aparecendo. Foi mãe exemplar, dedicou meio século a trabalhos voluntários em prol da Igreja e da comunidade e foi, acima de tudo, uma dessas pessoas que a gente pode chamar sem meios termos de guerreira, porque lutou bravamente para superar as adversidades naturais de uma vida pobre e sofrida, sem nunca abaixar a cabeça, sem nunca perder a dignidade.

Sei que tenho minhas falhas como filho e como pessoa, mas elas decorrem unicamente da minha condição humana. Todas as minhas virtudes foram decorrentes do aprendizado, dos valores e dos conceitos que a senhora, minha mãe, ao longo da minha vida me passou, sempre com ternura, mas também com o rigor que a ocasião merecesse.

Graças a Deus, orgulha-me de ainda ser conhecido por várias pessoas como Alcimar de Maria do Junco, pois, de fato, sempre tive e quero continuar a ter como referência a sua pessoa, que abre portas, agrega amizades e me faz ser conhecido como uma pessoa de bem.

Neta de Manoel Fernandes Jales (Sorinho) e Maria Cândida de Almeida e filha de José Severino de Souza e Noêmia Maria de Almeida, a senhora, minha mãe, orgulhosamente deixou o seu nome lançado na ainda recente História desse Município. E o fez sem pompa, sem dinheiro, mas apenas com seu exemplo de vida e com suas atitudes na comunidade.

Seus netos João Vítor, Isac e Maria Rita sempre se orgulharão de saber que um dia tiveram como avó uma pessoa tão respeitada em seu meio social. Maria Rita, aliás, já é carinhosamente chamada por nós de Maria do Junco, dada a enorme semelhança física e de alguns comportamentos semelhantes aos seus.

Seus irmãos que agora ficam (Rita, Sales e Marinalda) sentirão sua ausência. Dos treze filhos de José Severino e Noêmia, restam agora esses três.

Como filho, só tenho a agradecer a Deus por ter me feito nascer de seu ventre e crescer sob seus cuidados.

Os agradecimentos, porém, não são só meus. Arrisco-me a dizer que sua filha-sobrinha Elizabete também diria as mesmas coisas, se a emoção lhe deixasse falar nesse momento. Acredito que sua sobrinha Eduarda, que sempre lhe chamou de Dadá, pensa o mesmo.

Em seu nome, mamãe, também quero agradecer a todos aqueles e aquelas que, ao longo desses últimos cinco anos, ofertaram um pouco do seu tempo para lhe ajudar de alguma forma. Foram várias as pessoas, e aqui não vou nominar para não incorrer em injustiças. A todas essas pessoas quero agradecer do fundo do meu coração.

À prima-irmã Elizabete, de modo bem especial, quero agradecer pelo imenso carinho que lhe dedicou nesses anos. Sem ela nós não teríamos conseguido enveredar pelas trincheiras dessa batalha, desumana e desigual.

À comunidade messiense e aos muitos amigos de Maria do Junco, daqui e de fora, quero agradecer pela presença e pelas mensagens de carinho manifestadas de diversas formas e por diferentes meios.

Colhendo o que plantou, a senhora minha mãe recebe agora essa manifestação de carinho e solidariedade de uma quantidade imensa de pessoas.

Com a certeza de que fostes uma humilde e correta serva de Deus; com a certeza de que cumpristes nessa terra todas as missões que lhe foram dadas; com a certeza de que plantastes uma semente de amor e de respeito para várias gerações, descanse em paz, Maria José de Souza, ou simplesmente Maria do Junco. Do alto de sua misericórdia e com a medida exata da Justiça, o Senhor Deus a receberá e lhe dará um lugar de repouso em sua morada.

Seu corpo se vai, sua presença espiritual continuará no meio de nós.

Alcimar Antônio de Souza

Seu filho

(Texto lido  pela professora Maria da Glória Andrade Rocha na missa de corpo presente de Maria José de Souza, celebrada na Capela de Nossa Senhora das Graças, em Messias Targino, em 12 de novembro de 2015)