sábado, 16 de março de 2019

Promessa não cumprida

Sistema Único de Segurança Pública é proposta esquecida

Na última campanha eleitoral, uma proposta praticamente comum a todos os candidatos ao cargo de Presidente da República era a de criação do Sistema Único de Segurança Pública, que provavelmente atenderia pela sigla SUSP.

Essa proposta foi também empunhada pela campanha do então candidato Jair Bolsonaro, que terminou sendo eleito Presidente.

Pela essência da proposta, a União passaria a se responsabilizar mais pela segurança pública, pois agora, no atual modelo, os Estados e o Distrito Federal têm maior responsabilidade na matéria, e consequentemente têm que arcar com a maior quantidade de recursos financeiros e orçamentários para ofertarem aos cidadãos o serviço de segurança pública.

No entanto, até o momento, ninguém do Governo Federal sinaliza com a apresentação de qualquer medida prática que objetive a criação do Sistema Único de Segurança Pública.

Nesta seara, foi editado um Decreto do presidente Jair Bolsonaro. É o texto que flexibiliza a aquisição da posse de armas de fogo, o que é um tema ensejador de muitas polêmicas, inclusive porque, ao invés de diminuir os índices de violência, essa medida muito provavelmente o aumentarão.

Outra crítica que se faz a essa iniciativa, dentre dezenas de outras, é que a segurança pública é obrigação do Poder Público, não se podendo transferir para os cidadãos essa atribuição, que é pública.

Também sobre o assunto, dois projetos de Lei de iniciativa do Poder Executivo Federal, lavra do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, foram elaborados. São proposições que visam modificar a legislação penal e processual penal já existente, para aumentar o tempo de pena de vários delitos, criar alguns tipos delitivos novos e tornar regra a execução de pena quando houver condenação criminal em segundo grau.

Além de ser pequena a iniciativa do Governo Federal em matéria de segurança pública, os projetos de Lei de Sérgio Moro já nasceram  sob fortes críticas de operadores do Direito, que enxergam nos textos flagrantes inconstitucionalidades.

O que se esperava de quem fosse eleito Presidente da República seriam medidas emergenciais e práticas de combate à criminalidade. Esperava-se, inclusive, um grande aporte de recursos financeiros nos Estados e no Distrito Federal, para que os governos desses Entes Federados pudessem, em parceria com a União, desenvolver melhor suas ações na área de segurança pública.

A criação de um Sistema Único de Segurança Pública, capaz de dar eficácia às ações de combate à criminalidade, era uma proposta bem aceita pela população brasileira.

No entanto, até o presente momento, o povo fica apenas com a imagem do presidente Jair Bolsonaro e de seus fanáticos seguidores fazendo o gesto do disparo de arma de fogo, com os dedinhos apontados para a frente.

Lastimavelmente, em algumas dessas cenas, de dedos simuladores de imaginários disparos de armas de fogo, crianças e adolescentes apareceram. São adolescentes de idade semelhante à daquele que invadiu e matou crianças na Escola Raul Brasil, em Suzano, no interior de São Paulo. São crianças de idades parecidas às daquelas que foram atacadas e mortas pelos disparos de arma de fogo na mesma escola.

Mossoró

Inscrições para primeira etapa do casamento coletivo começam na próxima segunda, 18
A primeira etapa do Casamento Coletivo deste ano será realizada no dia 12 de junho, dentro das comemorações do Mossoró Cidade Junina. As inscrições para os interessados serão iniciadas nesta segunda-feira, 18, na sede do Plantão Social.
De acordo com Eliene Ciarlini, coordenadora do Plantão Social, a meta é de que 100 casais se unam em matrimônio nesta etapa. “É sempre um momento muito especial, quando as famílias se unem em torno do matrimônio”, destacou.
A documentação necessária é RG, CPF, Comprovante de Residência e Certidão de Nascimento. “Lembrando que a documentação é dos dois, sendo original e cópia e que o Casamento Coletivo é para casais de baixa renda”, explicou Eliene Ciarlini.
O Plantão Social fica localizado à Rua José de Alencar, Centro, por trás das Lojas Riachuelo. As inscrições serão realizadas de segunda a sexta, das 13h às 17h.
Fonte: Portal Prefeitura via www.omossoroense.com.br.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Tradição e fé

Patu realiza mais uma Romaria dos Vaqueiros

Neste fim de semana acontecerá em Patu a 10ª edição da Romaria dos Vaqueiros, um evento que a cada ano cresce em participação e faz parte do calendário anual de romarias do Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis, na Serra do Lima.

Neste sábado, 16 de março, à noite, a vaqueirama e a população em geral terá um momento de descontração ao som do grande cantor, poeta e sanfoneiro Amazan, que se apresentará no palco da Praça de Eventos Oliveira Rocha, no centro de Patu. É o "Forró da Chegadinha", que serve para acolher as caravanas que chegam de fora e anunciar com boa música a Romaria que acontece no dia seguinte.

No domingo, 17 de março, a partir das 6:00 horas haverá concentração no Módulo Esportivo Miguel Câmara Rocha, de onde cavaleiros e amazonas sairão em direção ao Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis.

Às 9 horas, já no Santuário do Lima, acontecerá a Missa do Vaqueiro, no pátio das Igrejas do Santuário.

São esperados romeiros (vaqueiros e não-vaqueiros) e grupos de cavalgadas de vários Municípios do interior do Rio Grande do Norte.

A Romaria dos Vaqueiros é um evento organizado pelo Grupo de Cavalgadas Nossa Senhora dos Impossíveis, de Patu, em conjunto com a reitoria do Santuário do Lima, e conta com o apoio institucional da Prefeitura de Patu.

Thaisa Galvão

Defesa do Consumidor: Deputado João Maia pretende adequar Código à realidade do comércio eletrônico

No Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, o deputado federal João Maia (PR), presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara Federal, afirmou à reportagem da TV Câmara, que pretende atualizar o Código de Defesa do Consumidor.

Um dos pontos em discussão, segundo o parlamentar do Rio Grande do Norte, é a adequação do Código à realidade do comércio eletrônico.

Fonte: www.thaisagalvao.com.br.

Câmara Federal

Natália Bonavides passa a integrar Comissão de Educação
Por indicação da bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara Federal, a deputada federal Natália Bonavides (PT/RN) integrará a Comissão de Educação nesse poder.
Natália Bonavides será titular nesse colegiado.
A parlamentar está no início do seu primeiro mandato em Brasília.
A comissão trata de assuntos relativos à Educação em geral, como política e sistema educacional em seus aspectos institucionais, estruturais, funcionais e legais, questões relacionadas ao direito da educação e recursos humanos e financeiros para o setor.
Fonte: blogcarlossantos.com.br.

sábado, 9 de março de 2019

Do CG na Mídia

Depois de muitas reivindicações, DNIT inicia recuperação da BR-110 no trecho urbano de Campo Grande





Depois de muitas reivindicações, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) começou nesta quinta-feira, 07/03, os serviços de recuperação da BR-110 no trecho urbano do município de Campo Grande/RN. 

Esse trecho urbano da BR 110 causou ao longo de todo esse tempo diversos transtornos, acidentes, prejuízos e doenças devido a forte poeira a toda a população que diariamente trafegavam pela estrada. 

De acordo com a equipe do DNIT, será retirado todo excesso e colocado uma nova camada de asfalto. 

O site CG na Mídia está acompanhando de perto todos os serviços para deixar a população informada.

Texto e foto: www.cgnamidia.com

quarta-feira, 6 de março de 2019

Fraternidade e Políticas Públicas

Igreja lança mais uma Campanha da Fraternidade

A Quarta-feira de Cinzas é a data escolhida pela Igreja Católica no Brasil para lançar a sua Campanha da Fraternidade, um evento criado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB em 1962 com o objetivo de discutir à luz do Evangelho grandes temas de relevância social para o povo brasileiro.

De fato, nesta quarta-feira, 6 de março, a CNBB lançou mais uma edição da Campanha da Fraternidade, desta feita com o tema "Fraternidade e Políticas Públicas" e com o lema "Serás libertado pelo direito e pela justiça (Is 1, 27)".

Ao mesmo tempo em que vivem o período da Quaresma, iniciado na Quarta-feira de Cinzas, os fiéis cristãos-católicos refletem sobre o tema e o lema da Campanha da Fraternidade. 

Começou a Quaresma

Cristãos-católicos vivem o período quaresmal

Nesta quarta-feira, 6 de março, a Igreja Católica, por seus fiéis em todo o mundo, deu início ao período da Quaresma, que corresponde aos quarenta dias que antecedem à Festa da Páscoa. A chamada Quarta-feira de Cinzas corresponde ao início desse tempo quaresmal.

O período quaresmal representa, dentro do calendário litúrgico da Igreja Católica, o tempo em que Jesus Cristo se preparou para voltar a Jerusalém na grande festa da Páscoa, já sabedor, segundo a Bíblia Sagrada, de que na oportunidade Ele seria morto e ressuscitaria ao terceiro dia de sua morte.

O Domingo de Ramos, primeiro dia da Semana Santa celebrada pelos cristãos-católicos, significa justamente o dia em que Jesus Cristo entrou em Jerusalém e foi saudado por uma multidão, que utilizava ramos de árvores nessa saudação.

Em nome dessa religiosidade, ainda é comum encontrar cristãos-católicos que, durante o período quaresmal, abstêm-se de comer carnes nas quartas-feiras, como ato de penitência. 

Opinião

O pântano da Venezuela

Por Paulo Afonso Linhares

Há exatos 50 anos, causou inegável impacto o retorno a Caraúbas de um nativo que, segundo se dizia, morava num país bem distante - no “oco do mundo”, como redarguia Dona Rita Ferreira Linhares sempre que lhe falavam sobre o assunto - chamado Venezuela, onde, internado na selva braba, garimpava ouro. E foi justo o ouro que o rapaz trazia no próprio corpo, em configurações diretas: nos muitos dentes (de ouro), como era chique àquela época, que lhe valeu a alcunha de “Pedro Boca Rica”.

Causava positivo espanto, também, os avantajados e não menos reluzentes adereços de ouro maciço que usava sob forma de anéis, pulseiras e aquela grossa corrente que lhe adornava o atarracado e forte pescoço, sobre a qual o indefectível Jairo Bezerra, em mais um dos seus divertidos comentários, dizia ser capaz de “arrastar um caminhão e valer mais do que dois”. O breve retorno do “Boca Rica” era para reverenciar a São Sebastião, na “Festa de Janeiro”, além de levar a esposa, uma das filhas do ferroviário Honório Gouveia, bem assim outros familiares seus para os confins da Roraima, de onde partia suas incursões em busca do ouro venezuelano. Embora o brilho de seus tantos ouros inda encham a memória de minhas retinas, nunca mais soube do paradeiro desse conterrâneo.

Vem à tona essa reminiscência quando o assunto, ou melhor, a crise de mais uma semana do governo Bolsonaro tem causa na atabalhoada operação de “ajuda humanitária ao povo da Venezuela” que armaram Jair e seu maluco ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sempre na esteira do igualmente falastrão Donald Trump que, a todo custo, deseja o petróleo venezuelano para, além de outras planejadas matanças, saciar a sede das grandes empresas petrolíferas norte-americanas chamadas "the new Seven Sisters", segundo o Financial Times, a exemplo do fizeram no Iraque, na Líbia e onde mais houver petróleo que esteja na mira da “Big Oil” - que é o nome que se dá a essas sete maiores companhias - e ao alcance da terrível máquina de guerra dos Estados Unidos da América.

Nessa baboseira de “ajuda humanitária”, tudo só favorece aos interesses norte-americanos, sejam econômicos ou políticos: no primeiro caso, usurparão o rico “ouro negro” venezuelano, além de movimentar sua azeitada indústria bélica, caso haja algum conflito armado; no segundo, os EUA aumentariam sua presença na América do Sul, região tão menosprezada pelas políticas externas de sucessivos governos norte-americanos, democratas ou republicanos indistintamente, tudo para colimar o antigo desejo do Tio Sam de chantar em países amazônicos bases militares suas. Ressalte-se que recentemente, tanto Jair Bolsonaro, logo que empossado como presidente da Republica, quanto seu ministro Ernesto Araújo, ofereceram de bandeja aos norte-americanos a instalação de um base militar em território brasileiro. Diante da imediata reação por parte de militares brasileiros, inclusive do vice-presidente, general Hamilton Mourão, a ideia estúpida e antinacional foi arquivada, por enquanto.

O inglês Lord Palmerston, Henry John Temple, 3º Visconde de Palmerston, ex-primeiro-ministro e antigo ministro dos negócios estrangeiros da Grã Bretanha, na era vitoriana, foi quem primeiro deu interpretação pragmática sobre os interesse de um Estado na ordem internacional: “Nations have no permanent friends or allies, they only have permanent interests.” Numa tradução livre, “ nações não têm permanentes amigos ou aliados, elas têm somente interesses permanentes”. Charles de Gaulle e Henry Kissinger, ex-presidente francês e ex-secretário de Estado norte-americano respectivamente, cada um a seu tempo e com algumas poucas variações, repetiram o pensamento “realpolitik” (ou de “interessenpolitik”) do Lord Palmerston, que se tornou um dos mais assentados paradigmas nas relações internacionais neste último século. Neste mesmo rumo, também, tem razão a médica canadense e presidente internacional da organização humanitária Médecins Sans Frontières ( Médicos Sem Fronteiras, como dizemos por aqui), Drª Joanne Liu, quando diz que “Nações não têm amigos; elas têm interesses. A melhor motivação para um Estado agir, se estiver longe de uma epidemia, é se a sua própria segurança estiver em risco.”

Diante disto, cabe indagar quais os interesses do Brasil nesse imbróglio venezuelano, já que os do Tio Sam estão bem claramente postos, como os que possam traduzir a subserviência canina do Brasil à política externa norte-americana na versão de Donald Trump, “the Tangerine Man”. Ou, como diria o filósofo caraubense Zé da Pata, o Brasil, nessa orientação de sua política externa, “tá engolindo corda, feito cacimbão”. Em suma, ademais de quebrar toda uma tradição de competente diplomacia que remonta ao Barão do Rio Branco, José Maria da Silva Paranhos Júnior, diplomata, advogado, historiador e político brasileiro, que conseguiu a façanha de ter exercido o cargo de ministro das Relações Exteriores de quatro presidentes da República: Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca.

Habilíssimo diplomata, o Barão do Rio Branco empreendeu negociações com outros países cujas fronteiras com o Brasil suscitavam de soluções. Os tratados que ele negociou com a Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia, Peru, Uruguai, Argentina e Guiana Holandesa definiram os contornos do território brasileiro, merecendo destaque o Tratado de Petrópolis, de 1903, celebrado com a Bolívia, que permitiu a incorporação do território que se tornaria o atual Estado do Acre, ao Brasil, o que rendeu a Rio Branco a grande homenagem de ser o nome da capital acreana.

Certo é que o ideário e exemplo de Rio Branco, passaram a balizar a diplomacia brasileira e a influenciar, até hoje, o relacionamento do Brasil com outros países, segundo preceitos em boa hora cristalizados no artigo 4º da Constituição Federal: “Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I - independência nacional; II - prevalência dos direitos humanos; III - autodeterminação dos povos; IV - não-intervenção; V - igualdade entre os Estados; VI - defesa da paz; VII - solução pacífica dos conflitos; VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; X - concessão de asilo político. Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.”

Ademais de impor uma absurda e descabida reorientação da política externa brasileira que toma por base a ideia falsa de que, nos governos petistas, ela se pautava por questões ideológicas, inclusive, no tocante à Venezuela, o fanatismo político que, por inspiração do guru Olavo de Carvalho, impregna gravemente o presidente Bolsonaro e seu auxiliar Ernesto Araújo, levando-os a defender um firme atrelamento do Brasil à atual política exterior norte-americana, o que desconsidera por completo a existência dos preceitos de regência das relações internacionais contidos no citado artigo 4º da Constituição da República.

A crise da Venezuela se agudiza. A posição do governo brasileiro, pautada por incabíveis questões ideológicas, é errônea e poderá acarretar graves danos ao Brasil, nem tanto econômicos, mas, eminentemente políticos. Em suma, o Brasil pode deixar de exercer forte liderança e de ser o mediador privilegiado de conflitos entre países sul-americanos, para se tornar mero vassalo dos norte-americanos na América do Sul. Aliás, repita-se, a America Latina não desperta quase nenhum interesse por parte dos EUA, salvo a Venezuela que detém uma das maiores reservas de petróleo do planeta. Lembre-se novamente que países não têm amigos, mas, interesses. Foi por isso que, na Guerra das Malvinas, em 1982, o governo dos Estados Unidos da América fez tábula rasa da vetusta doutrina Monroe (“América para americanos”) e apoiou a Grã-Bretanha contra a Argentina.

Sem dúvida, Maduro tem fortes pendores antidemocráticos e antirrepublicanos, mas, é ilusão pensar que a despeito de todos os percalços econômicos e políticos por que passa o seu país, que ele não tem o apoio da maioria da população venezuelana e o mais importante: contabiliza em seu favor as forças armadas que, diante dos esbirros intervencionistas de Donald Trump, que também instrumentaliza os vizinhos Brasil e Colômbia, tende a se unir mais em torno de Maduro por simples ‘impulso nacionalista’. Neste momento, somente ocorreria uma queda de Maduro se os militares fossem divididos.

Outro fator de enorme preocupação é o aparecimento, na América do Sul, de três grandes aliados internacionais de Maduro - Rússia, China e Turquia - que poderá garantir um equilíbrio de forças. Se o cenário da Venezuela continuar a evoluir para confrontos armados externo, é quase certo que russos e chineses vão ‘bancar’ a máquina de guerra venezuelana, a exemplo do que, hoje, ocorre na Síria, onde a aliança militar do ditador Bashar Hafez al-Assad com Moscou não apenas tem garantido sua permanência no poder, mas, proporcionado-lhe importantes vitórias militares.

Doutra parte, merece frisar o quão ridículo tem sido o reconhecimento por vários Estados do governo de Juan Guaidó, o tal “presidente encarregado” da Venezuela, segundo o ministro brasileiro Ernesto Araújo. Ora, é bem certo que não se pode dizer que Nicolás Maduro seja um ditador, como vocifera a imprensa de muitos países ocidentais, inclusive, a do Brasil. Embora a base legal da sua eleição e outras piruetas jurídicas de que tem lançado mão mereçam veementes restrições, fato é que Henri Falcón, candidato da oposição que obteve 21% dos votos válidos (equivalente a 1.820.000) não apenas participou do processo eleitoral como igualmente deu-lhe validade, mesmo que não tenha reconhecido a vitória do seu adversário.

Aliás, a exigência maior dos países da União Europeia é a realização de novas eleições, cuja aceitação poderá ser a carta na manga de Maduro, para baixar a temperatura política. E o mais inusitado poderá ocorrer: um processo eleitoral ‘clean’, democrático e supervisando por entidades internacionais confiáveis e com a presença de observadores do mundo inteiro, certamente terá Maduro como vencedor, caso seja candidato. Goste-se ou não dele, mas, ainda é lastimavelmente a grande liderança política venezuelana. E aí, como fica? Haverá um impasse mais profundo, a ser resolvido pelas armas.

Nada disso existiria, contudo, fosse respeitado o direito de autodeterminação do povo da Venezuela e banida qualquer modalidade de intervenção externa, humanitária ou interesseira, naquele país. São os venezuelanos que devem resolver os seus problemas, aconselha o sensato vice-presidente do Brasil, general Mourão. Mesmo porque é sabido que um conflito armado naquela região amazônica pode afetar todo o Cone Sul. E ninguém pense que sairá fácil e ileso de uma aventura naquelas selvas, que podem ser um pântano tão perigoso quanto foi o aparentemente frágil Vietnã, há seis décadas, quando a maior máquina de guerra do planeta foi fragorosamente derrotada por homenzinhos que portava pontiagudos talos de bambu. É a História a dar lições.

Paulo Linhares é advogado e professor universitário.

Fonte: blogdachris.com

Do portal Terra

Para Reale Jr, postagem de Bolsonaro justifica impeachment

Pedro Venceslau

Um dos autores do pedido de impeachment que culminou com a cassação da presidente Dilma Rousseff (PT), o jurista Miguel Reale Jr, ex-ministro da Justiça, avalia que a publicação de um vídeo obsceno de "golden shower" por parte do presidente Jair Bolsonsaro (PSL) configura quebra de decoro e justificaria a abertura de um pedido de impeachment.

"O caso de enquadra como falta de decoro, o que pode levar ao impeachment. Por que divulgar cenas abjetas para o povo brasileiro?" Ele (Bolsonaro) só pensa em factoide", disse Reale ao Estado.

Na noite de terça-feira de carnaval, Bolsonaro publicou um vídeo obsceno, que foi apresentado pelo Twitter como uma publicação "sensível". As cenas teriam ocorrido durante a passagem de um bloco de carnaval. O vídeo mostra um homem urinando na cabeça de outro - prática sexual conhecida como "golden shower"

Para justificar a publicação, Bolsonaro afirmou: "temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro". Nesta quarta de Cinzas, o presidente da República publicou: "O que é golden shower?". O Twitter não comenta sobre contas específicas. Para Reale, a atitude de Bolsonaro foi uma "retaliação" aos blocos pelas críticas feitas a ele.

Também signatária do pedido do impeachment de Dilma, a deputada Janaina Paschoal (PSL) discordou do ex-ministro. "A postagem não é suficiente para tanto. O professor está se deixando guiar pela rejeição que tem a Bolsonaro e a tudo que lhe diz respeito. Eu concordo que o Presidente não precisaria ter externado sua preocupação com os excessos do Carnaval com tantas cores. Mas daí a falar em impeachment tem uma distância enorme", disse Janaína.

Fonte: www.terra.com.br
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