segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Reflexão

Fragilidades...

Há dias em que a carcaça humana já não aguenta o peso da vida. Mesmo cristão, e justamente por ser cristão, em dias assim chego a pedir a Deus que abrevie a minha passagem neste mundo terreno. Não ouso ir além, porque quem procura seguir a Jesus Cristo – e não é fácil – sabe que a vida pertence a Deus, e somente a Ele.

Hoje é um desses dias. O cansaço da lida se juntou à fadiga da alma. Nesta se forma um misto de ansiedade, preocupação, descontentamento, tristeza, decepção, desânimo, medo. A decepção talvez seja até maior comigo mesmo, pela ausência de pulso firme, de coragem para certas decisões, de firmeza para cuidar dos meus. Delegar esta tarefa, mesmo que por pressão, não é correto.

Hoje, nesse instante, confesso que voltei a pedir a Deus para me levar. Quem sabe eu não encontraria em outro plano o sorriso sincero de meu pai, José Antonio Filho, a quem pouco vi; ou o ombro amigo de meu tio José Severino Neto de Souza, que tinha prazer em me carregar sobre seus ombros quando eu era criança; ou a doçura de uma das minhas avós, Noêmia Maria de Almeida e Antônia Sebastiana de Jesus. Eram duas santas, de bondade imensurável.

Talvez eu fosse acolhido pela dureza de minha mãe, Maria José de Souza, que tinha excessiva preocupação comigo, e transformava essa preocupação em um código de conduta pessoal, que no final das contas só me fez bem. Por traz daquela conduta ríspida, de comandos rígidos, havia uma Maria que, tal a mãe de Jesus, era apenas uma mãe, preocupada, doce, meiga, protetora.

Quem sabe lá, no além, eu não encontrasse minha tia Mercês, irmã de meu pai, pronta para me dar um beijo na face e segurar minhas bochechas, em uma sequência de gestos puros, genuínos, confessadamente expressões de amor.

Ou, quem sabe, em outro plano, Deus não me permitisse encontrar minhas tias avós Sebastiana Almeida, Áurea Almeida e Antônia Almeida, que sempre me acolheram tão bem em suas residências no Sítio Junco de Cima. Aliás, ainda hoje sinto o cheiro daquela comida simples e mesmo tempo gostosa que só elas sabiam preparar e só elas sabiam servir, com o tempero do amor, da fraternidade, da solidariedade (sim, ofertar comigo a um garoto sertanejo, de pobreza franciscana, em tempos difíceis, é sempre um ato solidário, antes de tudo).

Talvez em visse por lá meu tio Ozanir Souza (Tronqueira), a quem devo muito em matéria de atenção, carinho, acolhimento; ou minhas tias paternas Ana e Sebastiana, que me trataram em vida de forma especial.

Só Deus sabe...

Se vou terminar essa imersão aparentemente desvairada, foi porque Deus, no alto da sua misericórdia e agindo em seus desígnios, só por Ele conhecidos, não atendeu a minha fúnebre súplica.

Sozinho, aqui, choro copiosamente. Sinto-me só, despedaçado em sentimentos que não sei explicar. Estou tomado pela tristeza, pelo medo, pela angústia.

Quem dera passasse aqui um sopro de esperança, um sentimento de alento, uma porção mínima de tranquilidade.

Tento voltar à racionalidade das coisas. Tento retomar o temor a Deus, Pai Eterno e Todo-Poderoso. Volto o pensamento ao Livro da Sabedoria, capítulo 6, versículo 10: Os que observarem santamente a vontade santa dele serão declarados santos.

Não, não é minha pretensão chegar ao título de santo. Mas é desejo observar a vontade Santa do Pai.

Recorro novamente a outra passagem bíblica, o Salmo 23, que tem um verso poderoso: “O Senhor é o meu pastor e nada me faltará”.

Apego-me a Deus e agora Lhe peço para amenizar as dores do coração e da alma, para me trazer a paz e a tranquilidade que apenas o Senhor é capaz de conferir.

Tento esquecer o mundo à minha volta. Peço perdão ao Senhor. Peço a Ele a sua misericórdia, capaz de nos trazer uma justiça divina mais ampla.

Vou parar, na esperança de que eu possa encontrar um amanhecer melhor, mais sereno, mais confortante.

A Deus, obrigado por tudo, inclusive pela vida!

Alcimar Antônio de Souza